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terça-feira, 29 de julho de 2014

A casa do meu avô

              Linda, enorme e intacta. A fachada da casa vista por todas as faces é uma imagem viva na minha memória. Luiz Leal de Moura Santos era mais conhecido por todos como Luiz Cândido, nome em homenagem ao seu avô paterno que se chamava Cândido de Moura Fé. Homem de coragem e com uma visão de futuro incomparável, meu avô fez história no seu tempo e no transcurso é eternizado pela personalidade ímpar e os efeitos do reflexo imponente. Luiz Cândido casou-se com Joaquim de Moura Batista, todavia, as histórias penduradas na árvore genealógica da família de meus avôs vou deixar para um próximo escrito, por que, neste meio terno, a minha mente está inundado em lembranças do cenário ao entorno da casa do meu avô, aliás, há alguns dias a imagem da ambientação e a figura carismática do patriarca vem fazendo um redemoinhando nos meus pensamentos. Depois de algum tempo, nesse final de semana, voltei à velha casa, por alguns minutos fiquei a admirá-la e com os pensamentos reflexivos logo comecei a registrar a paisagem em volta com a câmara fotográfica. Prendi várias imagens do arredor ao filme para não ficar registrado apenas na minha mente e ser fonte no curso vindouro.
            No ambiente sereno da escrivaninha revejo a sequência das cenas e entre umas fotografias e algumas filmagens de pequenas durações do toda em volta, bateu-me uma saudade imensurável dos tempos da infância vividas no torrão, logo resolvi reavivar o ambiente da imensidão em volta da casa com todos os pormenores ao alcance das bordas dos terreiros e desenhar a paisagem recorrida nas instâncias que permeia o todo. Prometo que no momento oportuno apresento a parte interna na casa.  
            A casa com a frente para o sul tem um grande juazeiro que ameniza o sol escaldante em boa parte do vasto terreiro e na mesma direção a uns 100 metros fica o poço tubular e alguns coqueiros, mangueiras, cajueiros, bananeiras... No lado leste vê a capela, o curral e uma tamarindo com uma sombra que cobre uma ampla parte do cercado o qual tem a porteira com frente para o oeste. Em frente à capela está fincado um cruzeiro com uma inscrição no meio do braço da cruz com a seguinte grafia: “EM 10/06/1983”. A data desenhada com escopo na própria madeira foi feita pelo o autor da obra Raimundo Neres Neto e significa a era que foi feita e ali posta. No lado norte, a parte de trás da casa já beirando as bordas do terreiro tem um juazeiro e uma seriguela. Ao oeste dois imbuzeiros. Toda em volta a casa muitas galinhas, porcos, ovelhas, boi, vacas...
            Aguçado pelo brio dos sentimentos particularizados, fecho os olhos e rebobinando o filme da memória ao tempo juvenil em estada na casa, no alvorecer, ouço ao fundo o mugi do gado, a cantoria dos pássaros, o rádio de pilhas na freqüência AM tocando sertanejo de raiz... Vejo-me deitado na rede sentindo um friozinho agradável e com os pensamentos em autonomia reiterada ao ouvir a moda de viola. A sequência é reservada o espreguiçar do bom sono, respirar o ar puro, observar as folhas com respingo do orvalho em volta a casa e despertar ao ver o dia ganhando fôlego – tudo me traz a sensação de liberdade.
             
            (*) JOSSELMO BATISTA NERES
E-mail: josselmo@hotmail.com

 Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 24/07/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Fervor emblemático


            Sem diálogo a última escolha é abandonar o mundo em que vivo e retornar para a realidade. Não saúdo a vida com pranto. Prefiro o silêncio ao falatório desajustado. Prefiro as palavras harmônicas, doces e suaves ao invés das que trazem o fervor emblemático, estas sim, ficam impregnadas na alma e é transbordante de compaixão. Quando o sentimento é para fora, externo, bate e volta, ou seja, não deixa abater-se com as palavras pejorativas cheias de sensibilidades e nem altera a forma transparente de encarar o viver, a pessoa tem no corpo uma proteção natural como se fosse um escudo para rebater as atrocidades. Entretanto, se o sentimento for para dentro o efeito das palavras é internalizado na alma de uma forma crua e violenta. Mesmo que queira controlar a programação do cérebro e bloquear a funcionalidade indesejada dificilmente vai conseguir e o resultado é o redemoinho de pensamentos nefasto. A esportiva não funciona. A emoção passa a ser a razão e a essa altura o que bateu no coração subiu ao juízo com um efeito enérgico e corrosivo.
            Quando por vezes algum dito é internalizado, os pensamentos ficam em reboliço à luz do dia. Já na calmaria da noite, sozinho, quieto ao canto, os miolos ficam em guerra e quando chega à hora de repousar que coloca a cabeça no travesseiro para cair no sono e moderar por um instante a impressionabilidade corrosiva que afronta as ideias e consegue dormir chega o sonho aflitivo e extremamente desagradável produzido pelo efeito da opressão das palavras. Os impulsos frenéticos voltam a reinar.
            Para esquecer os desvios da imaginação que vez por outra vêm de encontro, alguns se ocupa conversando com um amigo e/ou amiga, sentam-se em um restaurante ou em um barzinho para beber uma cerveja e trocar algumas palavras de consolação conforme a ambientação do momento, ao invés de ficar tentando escrever a sensibilidade do fervor emblemático preso na alma ao qual nem ela mesma entende e ainda vai correr o risco de alguém ler e dizer que o escrito é leviano. Não importa, é a expressão da própria vida. Para quem usa o papel e caneta para o ofício, não excluindo os que usam a nobreza da tecnologia, essa é a maneira de acalentar o ânimo. Preso na loucura em raras exceções é melhor distrair-se com a caneta misturando letras do que sair por ai jogando palavras ao vento. Cada um tem a sua forma particular de pensar e de agir. Pode não ajudar em nada, pode não ser inovador e nem acrescentar patavina no seio da vida com tais termo, todavia, vamos combinar uma coisa, caro leitor, te falo baixinho, essas palavras são um tratado para curar os desvios que existem no descontrole emocional e afagar o espaço vazio que estar além dos pensamentos, no entanto, é a forma de manter-se vivo e fora dos freelance dos momentos inoportunos que se desprendem da lucidez e mergulha na loucura.    
            Quando o sentimento é internalizado o uso de mascara para esconder-se da verdade empanada na real situação que beira o momento é bola fora da rede. Fingir também não funciona, é melhor ser igual a você mesmo. Não disfarce, não dissimule no rosto o que não sinta no coração, coloque para fora o sentimento traiçoeiro preso na alma.

            (*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 26/07/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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domingo, 18 de maio de 2014

País do contraste


            Caro leitor, para começo de conversa vamos observar a rua, o bairro, a cidade, o estado e o país onde moramos. Certo? Acredito que no exercício da mente alguns de vocês vão indagar que na rua tem um trecho que necessita de pavimentação, no bairro a falta de reforma de um prédio público, na cidade a falta de obras para melhorar a mobilidade urbana, no estado obras que custaram bilhões encontram-se abandonadas e no país acontece um apagão de projetos. Entretanto, antes de prosseguir o olhar atento do que é precisa ser feito na nossa rua, vamos primeiro começar a observação pelo quintal da nossa casa, depois os cômodos, até chegar à calcada, não necessariamente nesta ordem, ou seja, vamos primeiro cuidar do que é nosso e que depende só de nós para se manter vivo.
            O Brasil é o país do contrate. Um país que no lugar de construir e reformar os seus portos marítimos constrói porto em águas internacionais. O porto de Luis Correia há anos vem se arrastando pela falta de recurso e/ou é a ingerência dos governos estaduais? No entanto, sobra investimento na ordem de milhões de dólares advindo do BNDES para ser aplicado no terminal portuário de Mariel em Cuba. Como bem critica os opositores “o governo brasileiro investe mais em Mariel do que nos portos nacionais.” Eu não acredito que o governo direciona os investimentos a Cuba devido a um alinhamento ideológico com Havana, seria radicalismo da minha parte.
            O Brasil é um dos principais impulsores do projeto cubano para ampliar o porto de Mariel. O governo brasileiro ao rebater as críticas do projeto do porto afirma que "cada projeto é um projeto". Isso é verdade. Agora me responda quem souber – o não investimento em Cuba não necessariamente levaria o dinheiro aos portos do Brasil? Ou o não investimento nos portos do Brasil é por falta de projetos dos governos estaduais e/ou fatores como restrições ambientais que estão dificultando a agilidade dos projetos? Se tem recurso para ser aplicado no porto do país comunista e lógico que por falta de verba do governo federal não é o caso, ou é? Só mais uma pergunta: será que o governo cubano vai honrar a divida com o Brasil? No discurso a Presidente afirma que a obra vai beneficiar várias empresas brasileiras com as exportações e várias já manifestaram interesse em instalar-se na zona frança daquela ilha. O jornalista Marlos Ápyus afirma que “o porto de Mariel cujo financiamento foi classificaso como secreto já está sob suspeitas de contrabandear armas para a Coréia do Norte, violando assim sanções internacionais.”
          Após financiar o porto de Mariel na ilha dos irmãos Castro, o Brasil está em vias de ceder ajuda em grande quantia para o Uruguai construir o seu porto. Em relação ao porto Marítimo do Uruguai, operadores portuários temem “que essa concorrência prejudique os portos nacionais. O financiamento pode ainda causar atritos entre o Brasil e seus colegas do Mercosul, já que eles também seriam afetados.” Sabemos que envolve muitos fatores que atraem o país para os investimentos internacionais. Todavia, antes de cuidar da rua em que moramos temos de cuidar da casa onde vivemos. “Num tempo em que o governo brasileiro habituou-se ao uso do ‘não sabia’ como desculpa para má gestão e desvios de ética, o eleitor precisa se manter atento a projetos do tipo.”

(*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil.
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 17/05/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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Mundo estranho


            Por favor, pare o mundo que eu quero descer. Por quê? Não suporto ouvir reclamação da ordem natural da vida, de ver fulano cuidar dos defeitos do outro e se incomodar com a grama do jardim do vizinho que está por cortar. Por ocupar-se cuidando da vida alheia termina não tendo tempo e deixando por fazer o que realmente interessa ser cultivado. Algumas pessoas perdem o seu precioso tempo tomando conta da vida do outro e o outro do outro transformando em um verdadeiro ciclo vicioso. Só tem uma explicação para essas mentes ter tanto motivo para o incomodo da existência do semelhante, a inveja, mas como é feito de forma espontânea o “linguarudo” nem se dar conta disso. Não é normal, mas é perdoável.
            Ninguém é cem por cento bom e nem cem por cento mal. Todos têm qualidades e defeitos. O ser humano é construído no andar dos passos, segue a lei natural da vida. Não demonstramos tudo o que sentimos e nem falamos tudo o que queremos. Minutos depois fatos novos são acrescentados. Cada momento dentro do seu momento. Tudo na vida passa e o tempo fala por nós. Na trajetória existem os seus caminhos e as suas escolhas, agora saber quais são os caminhos e as escolhas corretas é uma tarefa que necessita ter habilidades. Os trilhos a serem seguidos estão dentro do coração de cada um. O certo para um pode ser o errado para outro. Só existe uma verdade, a que está dentro de você. Na vida o que importa não é o que as pessoas acham de você, mas sim o respeito que você tem pela vida. É muito simples ser feliz – é só viver obedecendo cada etapa.
            Passamos um período da vida construído o alicerce que vai dar a sustentação do que planejamos seguir. É certo que vão existir os percalços que serviram para nos aperfeiçoar e assim seguir com a obra adiante. Em tudo na vida tiramos uma conclusão. Não devemos esquecer que somos o protagonista da nossa história. Temos de ter forca e determinação na nossa jornada, baixar a cabeça jamais. Temos que caminhar pra frente, voltar pra trás nem o cotovelo para dar impulso com o braço para frente. Recuar jamais.    
            Em alguns momentos da vida vão aparecer a nossa frente os desencontros de opiniões que devem ser encarado como instrumento para o engrandecimento do discurso, normal, ruim é quando por vezes levam ao distanciamento de pessoas que queremos fazer o bem. Muitas vezes o desentendimento ocorre por infantilidade entre as partes, e com isso permitimos que a lenha que alimenta a chama entre os seres se acabe. Para manter o fogo vivo temos que repor a lenha, o debate das opiniões tem de ser continuado no sentido de fortalecer as ideias. Caro leitor, todo momento da vida tem de ser pensado e repensado e como nossa alma é banhada de emoção temos de deixar aflorar os sentimentos na busca da felicidade. Por falar em felicidade aproveito a oportunidade para preencher com palavras a melancolia inoportuna que ronda o meu peito. A alma despenada e vazia bate na porta da razão.
            Meu caro, sem trapaça, obedecendo à ordem natural e seguindo todas as etapas do percurso reservado para você, as metas lançadas a vida vem naturalmente. Pensamento positivo, sempre. Preocupe-se mais com você. Não compartilhe com o pessimismo que brota de mente nefasta.

(*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil.
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 12/05/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

País do futebol


            O Brasil vai jogar a final da Copa do Mundo no Maracanã contra a Argentina e será campeão com um gol do paraibano Givanildo aos quarenta e seis minutos do segundo tempo. Sim, o gol que vai dar a vitória ao Brasil é do nordestino mais conhecido como Hulk. Na euforia da comemoração do Brasil campeão do mundo, por um instante os problemas pela ingerência dos governantes vão ser esquecidos e lembraremos apenas que a competição esportiva trouxe para a nação visibilidade, benefícios com obras estruturantes para assegurar o espetáculo, a vinda de turistas de diversas partes do mundo para prestigiar o evento, o volume da movimentação financeira, além da alegria e comoção nacional com todo o patriotismo preso no peito em ter visto a seleção fazendo bonito dentro de campo. Nada conta, a festa é linda e necessária. O lado ruim da história é que o divertimento só vai durar 32 dias.
            Recentemente acompanhamos as manifestações espalhados pelo país afora com protestos contra os gastos da Copa do Mundo e em uma nota assinada por uma das organizações de um movimento acontecido em São Paulo foi abordado entre outros tópicos à seguinte questão: “os gastos bilionários na construção dos estádios não melhoram a vida da população, apenas retiram investimentos de direitos sociais”. Deixando de lado à precariedade dos hospitais, dos colégios, dos sistemas presidiários, da má condição de muitos trechos de estradas, da falta de projetos estruturante para melhorar a mobilidade urbana, da falta de construção e melhoria de aeroportos, de portos marítimos e estradas de ferros para escoação da produção brasileira... O mais tudo vai muito bem.  
            A alegria de ter o Brasil sediando a Copa do Mundo é contagiante e incontestável. Entretanto, os estádios de futebol que acontecerão os jogos ficam nos grandes centros e alguns deles sem muita tradição no futebol e passando o período da Copa o campo estará fadado a se tornar “elefante branco.” É lógico que para acontecer os jogos é necessário ter uma boa estrutura para o espetáculo, isso é um fato. O que se questiona é o volume de dinheiro público investido em uma única arena onde, no entanto, devido aos subfaturamentos das obras o valor dos desvios daria para ser construído outro palco futebolístico ou vários hospitais e colégios com o montante surrupiado. Um verdadeiro desperdício. Cabe lembrar que quem paga a conta é o povo com a carga pesada de impostos e muitos se querem vão ter uma televisão para assistir aos jogos da Copa do Mundo, outros vão ter o aparelho mais a energia vai estar cortada por falta de pagamento porque o salário do mês só deu para os mantimentos e o remédio.
            O país do futebol também é o da corrupção, dos desvios de verbas públicas que deveria ser lançado em beneficio do povo ao invés do bolso dos larápios; é o país dos amontoados de enfermos nos corredores dos hospitais públicos pela falta de mais centros de tratamentos e infra-estrutura necessária para o bom atendimento; é o país da falta de prédios escolares, assistência e condições mínimas adequadas de funcionamento um tanto quanto para o discente como para o docente da rede pública. Brasil Hexacampeão Mundial de Futebol. Até quando a alegria do título vai enganar os problemas que a sociedade brasileira enfrenta?

(*) JOSSELMO BATISTA NERES
E-mail: josselmo@hotmail.com
Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 01/05/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Brasília: capital da esperança


          Quarta-feira às 18h35min cheguei ao Planalto Central, o centro das tomadas de decisões do país, Capital do Brasil. Sai do Piauí para o meu destino pela porta da frente do Aeroporto Petrônio Portella e entrei na Capital da Esperança pela porta dos fundos.
            Brasília foi calculada, desenhada e redesenhada em espaçoso plano perfeito no centro do país para ser o centro administrativo e reger o imenso território brasileiro. Outros governos sem sucesso tentaram fazer o mapa da transferência para um novo centro, mais foi Juscelino Kubitschek com a visão de futuro e a aprovação do Congresso Nacional que concedeu licença para a construção da nova capital que o projeto começou a se tornar real, agora um detalhe que chama a atenção é que a autorização só foi dada pelo Congresso por que não acreditava na execução do plano de transferência da Capital do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste brasileiro. Com o Plano de Metas e a determinação do Presidente aos poucos as construções foram ganhando corpo e em pouquíssimo tempo a cidade do Distrito Federal estava erguida no plano perfeito central como planejado nas ideias do idealizador. A engrenagem política brotou efervescente procurando desapegar e fugir dos vícios anteriores para seguir ao seu moderno processo.
            Rompendo com a completa rotina e compromisso dos políticos e dos funcionários públicos transferidos para a nova sede do governo brasileiro, Brasília ganhou manifestação inequívoca da capacidade concreta lançado na época pelo presidente JK. Determinado e confiante na nova capital do Brasil, a fé, a garra no tocar as obras e o espírito pioneiro foram às provas dadas para consolidar o interesse ao novo regime de liberdade no centro da nação. Quando cheguei ao Distrito Federal à noite caia silenciosa e logo do alto vi a cidade já com as luzes em brilhantismo vivo acenando e dizendo: “a capital da nação brasileira é aqui”. O pouso na Capital Mundial das Águas foi perfeito.
            No caminho para o hotel observei a exuberância e o charme da Cidade-Parque no seu natural e aos poucos fui desbravando em fascínio a paisagem urbana presenciada no percurso e tão logo cheguei ao hotel fui à cobertura do prédio e com uma visão panorâmica abracei a cidade ao alcance dos olhos. Obedecendo aos afazeres e cumprindo as missões no centro do poder do país, em normalidade o turismo pela cidade não poderia deixar de acontecer fazia parte do pacote.  
            Palácio da Alvorada, Congresso Nacional (‘o pires para baixo dos senadores que já estão servidos e o pires para cima dos deputados federais que ainda não foram servidos’) e o Supremo Tribunal Federal – edifícios que definem a Praça dos Três Poderes – Esplanada dos Ministérios, Catedral Metropolitana e tantas outras obras no Eixo Monumental da Capital Federal que formam o conjunto arquitetônico com seus encantamentos e belezas esculturais. A cidade-distrito planejada para abrigar o centro do poder repousar em perspicaz aguardado os desdobramentos do futuro da nação.
            Diferente da chegada sai no clarão de uma bela manhã de Sábado pela porta da frente do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e carregando na memória o deleite colhido pelos olhos do Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

(*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil.
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica publicada no Jornal Diário do Povo do Piauí em 10/04/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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domingo, 23 de março de 2014

Anniversarius


            Neste domingo amanheci um tanto quanto eu, da pra imaginar? Sentei em frente à moderna maquina de escrever e deparei-me com um problema de ordem interna. A questão era como homenagear a alguém que vai completar mais um ano de vida usando as palavras? As letras começaram a fazer um redemoinho dentro de mim e como as palavras nascem no despertar da necessidade da alma, logo acordei pra vida e os pensamentos resolveram fluir. Para começo de conversa a etimologia da palavra aniversário vem do latim anniversarius, [anni + ano, vers = que retorna arius = data] que significa "o que volta todos os anos ou o que acontece todos os anos."
            O costume de comemorar o dia do nascimento de alguém teve início em Roma e hoje é celebrado em todo o mundo. A respeito de comemorar o aniversário, Tassilo Orpheu Spalding no Dicionário da Mitologia Latina afirma que “esta solenidade, que se renovava todos os anos, era festejada sob os auspícios do Gênio que se invocava como a divindade que presidia ao nascimento das pessoas. Costumavam erguer um altar sobre a relva e o cercavam com ervas e plantas sagradas. Junto desses altares as famílias ricas imolavam um cordeiro”.
             No Aurélio, aniversário quer dizer o “dia em que se faz ano que se deu certo acontecimento, ou em que se completa ano”. Reproduzindo as idéias de Tassilo Orpheu e dando-lhes uma redação pessoal em meio a outras palavras, o famoso bolo de aniversário, a que temos notícias nasceu na antiga Grécia, quando se homenageavam, no sexto dia de cada mês, à deusa Ártemis. A festa era realizada com um bolo cheio de velas que simbolizavam a claridade da Lua que se espalhava à noite sobre a Terra. O termo aniversário no significado da palavra veio para ilustrar, dar maior ênfase e levar o brio para a existência da pessoa homenageada.
            Um ano se vai e outro chega para dar inicio a renovação dos desejos. De nome árabe e tendo como significado ‘estrela da manhã’, aprofundo com sutileza a minha forma de expressão livre: o primeiro fôlego foi às seis horas ao romper o dia de uma quinta-feira do dia vinte de março, ao qual se completa mais um ciclo nessa quinta no andar do século XXI. Falando em quinta! Em consulta a enciclopédia livre, quinta-feira é considerada o quinto dia da semana, mas na ordenação do trabalho e lazer e pela normalização ISO, (Internacional Organization for Standardization, ou seja, Organização Internacional de Padronização) é o quarto dia da semana, sendo na maioria dos calendários em todo o mundo. A palavra quinta-feira é originária do latim Quinta Feria que significa "quinta feira". Para a Igreja Católica, a “quinta-feira é o dia de devoção ao Santíssimo Sacramento, em memória à Última Ceia de Jesus Cristo” e o dia de São Martinho de Dume.
            Como esse dia inicia a Primavera, que o reflorescimento dos nossos corações nos acompanhe todos os dias que virão; os deuses iluminem os nossos caminhos; a estrela ao romper o dia brilhe em forma esplêndida, hoje e sempre. Viva a alma pura de sentimento cravada na faculdade do entendimento. Um feliz aniversário em palavras explícitas e ao mesmo tempo ocultas mais deixem levar que os sentimentos a enxerguem.    
           
(*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil.
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – ANNIVERSARIUS – em 21/03/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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segunda-feira, 3 de março de 2014

O estranho mundo do bajulador


             Os sistemas hierárquicos existem desde os primórdios, onde um ser esta acima do outro, seja nos aspectos intelectuais, econômicos, físicos ou sociais. Com essa relação hierárquica os desejos daqueles que querem ascender em um dos termos e adquirir sucesso, uma das formas encontradas é bajular o outro que está no nível “acima” de seu cargo, para adquirir vantagens pela via inversa. Quem se identificar com o jogo de palavras manifeste-se. Calma, não leve tão a sério. Agora caso fosse preciso não seria uma tarefa fácil, dificilmente haveria um que se manifestasse: “eu sou bajulador”. Isso por que, há quem diga que alguns seres usam a bajulação com o chefe na incumbência de querer fazer a outra escada para galgar degraus. Cadê o espírito competitivo!?. Mesmo que a carapuça de algum ser não venha cair, e a intenção não esta, quero que saiba que, a semente não nasce na terra seca, e mesmo que nasça não prospera sem no mínimo borrifar. 
            Funcionário que bajula o chefe; que na sua frente age de uma forma e pelas costas fala mal do colega para o superior, o famoso leva e trás; procura deslizes dos seus pares de trabalho para contar para o chefe, com a intenção de mostrar a sua eficiência e se promover; usa do expediente oportunista para tentar aparecer o máximo e conseguir regalias; manipula o colega de trabalho, bem como as informações que circulam nos bastidores da empresa para tirar vantagens; jamais discorda do chefe, mesmo que este apresentar uma opinião inadequada... Entre tantas, essas atitudes prejudicam a imagem da instituição, além de transformar o clima organizacional da empresa insuportável.
            Os ‘puxa-saquismo’ são envolventes e habilidosos, mas desagradam colegas e chefes, os quais consideram as atitudes nocivas, é logico que nem todos pensam assim. “Não é difícil encontrar quem é, foi ou conhece alguém que pratica a bajulação, essas pessoas são denominadas de puxa-sacos. O melhor exemplo de bajulador é o funcionário de alguma empresa que, na tentativa de ganhar a confiança, crescer na empresa e/ou obter um aumento no salário, concorda com tudo que o chefe diz e é o primeiro a rir da piada contata pelo chefe”, diz Eliene Percília, da Equipe Brasil Escola, o qual, transcrevi, pois parecia meu.
            Raramente encontraremos uma empresa que não conta com o famoso puxa-saco e “há quem diga que os chefes gostam deles, caso contrário não haveria bajuladores.” Na verdade os dotados desse dom pratica as artimanhas como se fosse uma arte. Existe quem afirma que, o funcionário xereta, sem caráter e duas caras tem mais chance de ascender no cargo do que o funcionário que faz devidamente a sua tarefa com esforço e dedicação obedecendo às normas estabelecidas pela empresa. Se a moda pega, sei não. A bajulação funciona como um “comportamento do atraso”, enraizado no cérebro do ser que desconhece a capacidade de desenvolvimento do intelecto; o estimulo da conquista pelo esforço; a busca da especialização; a ascensão pelo mérito... No estranho mundo do bajulador ser adorado é mais vantajoso do que ser qualificado.
            Adular servilmente causa censura e inconformismo no ser de alma equilibrada. O “apurado senso estético” é carregado pelos seres que tem amor-próprio e tem a realidade sobre si mesma. E isso “encerra crítica que pode ajusta-se bem à pessoa com quem falamos a outra que nos ouve.” Por trás do corporativismo, sem raras exceções, existem os bajuladores que querem se da bem à custa do outro e subestima a sua inteligência.
           
             (*) JOSSELMO BATISTA NERES 
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – O ESTRANHO MUNDO DO BAJULADOR – em 02/03/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sensibilidade intrínseca


            Em um mundo de cabeça para baixo a vida começa pelo fim. O casal quando se encontra na fase dos sentimentos eufóricos e com a chama das controvérsias aceso, é um Deus nos acuda para todos os lados. Pobres dos corações. Tem gente que diz ter sentido na separação “uma dor que chegou ao linear da loucura.” Eu nunca passei por isso, que fique bem claro para o leitor. Já ouvi também falar: “A pessoa só dar valor a outra quando perde”. É mesmo!? Acredito que isso depende do nível de reflexão e da necessidade incorporada em cada um. Agora saber que os sentimentos causam dor em várias circunstâncias isto eu sei. Mas tudo bem, os sentimentos fazem parte da nossa vida. Sabemos que a vida oferece de tudo um quanto e pela lei da natureza o lado bom da vida deve supera os demais.   
            Caro leitor, vou mudar de assunto, este é de cada um e intra-sofrível. Tema é o que não falta para continuar a conversa, pode ser da movimentação dos pedestres da rua onde moro; do lixo que o carro não passou para recolher nesta terça-feira; da seca que assola o sertão (esse já foi assunto de um outro escrito, e argumentos para os fatos é o que não faltam); do livro “Boa Companhia” – uma seleção de crônicas organizado por Humberto Werneck – Ed. Companhia das Letras – que estou lendo, mais não vou descrever nada disso. O movimento da rua está sem alteração; o lixo quinta-feira conto como certo ser recolhido; a seca foi amenizada, até que está chovendo estes dias; o livro é maravilho, eu indico aos interessados, mas ainda não acabei de ler. Já sei, vou ocupar-me em escrever uma crônica sobre a consciência e humildade e/ou a falta que existem nas pessoas e traçar um paralelo com a via ativa do ser humano.
            Essa semana um desconhecido aproximou-se de mim calmamente e perguntou: “você escreveu um livro, num escreveu?” Em alerta respondi que sim. Ele retrucou: “Eu li ele”. E ainda ousou em comentar algo semeado nas paginas daquela obra. Como os aplausos recebidos do público, não têm dinheiro que pague a satisfação. Também deixo evidente quando alguns dos meus poucos leitores veem as minhas crônicas publicadas no Jornal Diário do Povo do Piauí, e ligam para dizer que leram, assim como os mais ousados que dizem ter gostado e parabeniza pela publicação. A sensibilidade é intrínseca. Tenho um carinho enorme por todos os amantes da literatura. A soma da leitura de um único tema, mas com teores diferentes, faz a pessoa ter um olhar diferente da vida em volta.  
            O racional enérgico e o improviso ativo nas pessoas exigem uma dose de humildade. Muitas pessoas não têm consciência das vertentes estampadas nos meios acessíveis. O poder de moldar os pensamentos divergentes exige do ser humano algumas habilidades e os induzem a acertar os ponteiros, no caso, acertar os passos em harmonia com a alma em prol do que a lei da natureza afirmar ser como certo. Mais o que é, e como saber se o certo não é o errado? Isso vai depender da prudência de cada um. Para levar o debate a fundo, primeiro é preciso encontrar no ser humano troca de opiniões para o engrandecimento do discurso. O debate das ideias ajuda a formar um novo conceito sobre aquele em contestação. Só ouvir amém para todos os temas atrofia a imaginação. A crítica pode ser um tanto quanto um elogio. Isto é, claro, vai depender dos fatores em desacordo, quem é o crítico e do grau de consciência, humildade e espiritualidade do criticado. A construção das ideias tem ação continuada.
           
            (*) JOSSELMO BATISTA NERES
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – SENSIBILIDADE INTRÍNSECA – em 23/02/2014 na página 18 - Galeria (Jornal Impresso).

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Meio intelectual, meio de esquerda


                Em tempo de campanha eleitoral o que mais se observa no jogo político é a briga pelo poder e as artimanhas que cada um usa para se eleger. Vale até vender a mãe. Triste mesmo é saber que a maioria dos políticos brasileiros não tem compromissos sociais. Política baseada no modelo de troca de favores, apadrinhamento e nepotismo é a forma que os administradores públicos utilizam para justificar o processo democrático. São raras as exceções, os governantes que apresentam um plano de governo, do que faz política por vocação e do que serve a quem mais necessita.
           No cenário da política atual observamos de camarote o festival de troca de mandatos entre familiares. Os detentores dos mandatos políticos visando alguma astúcia e sem querer saltar do barco e deixar a vaga em aberta para outro aspirante, nesse momento o rodízio do poder acontece em plena luz do dia: Marido passa a vaga para a esposa, pai para filho, tio para sobrinho e ai vai. E quem disse que o marido, o pai, o tio vão ficar sem mandatos? Em suas astúcias os que ainda não tem mandatos no executivo, muitos vão se eleger no mesmo pleito eleitoral dos familiares a outras legislaturas. Caros leitores e eleitores vocês já ouviram falar em oligarquia? Este caso eu vou chamar de “familiarismo”. Mesmo sendo “meio intelectual, meio de esquerda” não sou contra a troca da cadeira do poder entre os familiares, bom para quem tem mecanismo para isto, agora o que sou contra é a perpetuação das ideias retrogradas, a falta de compromissos sociais, o vício administrativo repassado entre as gerações. Precisamos de políticos com ideais justos, com projetos inovadores, com modelos sofisticados de governança, com engajamento total no seu dever e acima de tudo que tenha vocação para o ofício.      
            Os políticos usam de manobras políticas em busca do poder e subestima a inteligência do eleitor. Como é uma prática corriqueira no cenário político brasileiro, poucos dão conta dos atrasos provocados por este modelo reinante. O mal é contagioso. O que sobra no jogo ardil dos mandatários falta em projetos de mobilização urbana, serviços sanitários básicos, educação, saúde e segurança de qualidade. Falta um plano político eficaz. O que existe de sobra é o banquete de politicagem. Nas plataformas políticas em época de campanha eleitoral os candidatos apresentam projetos mirabolantes e prometem o que nuca cumpre. Um exemplo da falta de dever dos nossos representantes é o abandono da coisa pública. No lugar de reformar e construir prédios escolares, equipar com biblioteca, sala de informática e etc. O que observamos são colégios já construídos caírem por falta de reforma e se não conseguem dar manutenção nas salas existentes, imaginem iniciar uma construção de um novo prédio, sorte mesmo é nenhum aluno se machucar debaixo das estruturas caindo aos pedaços. Alguns administradores reclamam na falta de dinheiro para a reforma de um prédio público, para o conserto de um veículo que vai servir a muitas pessoas... Mas sobra para pagar folha de pagamento com funcionários “fantasmas”, pagar aluguéis de carros de apadrinhados e tudo um quanto fora das normas da cartilha.
            Os políticos deixam a desejar. Para desviar a atenção do povo e atenuar os diversos problemas emplacados no seio administrativo, os governantes utilizam-se da política “pão e circo” para conter uma possível revolta. O pior é que enganam direitinho. A corrupção está enraizado em todas as hierarquias da política. Que venha a lei do retorno.

            (*) JOSSELMO BATISTA NERES 
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – MEIO INTELECTUAL, MEIO DE ESQUERDA – em 13/02/2014 na página 02 - Opinião (Jornal Impresso).

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A vida levado a sério


           Mais dia menos dia, vou “enganar o tempo” e esquecer parte das lembranças que permearam a minha vida. Não que os momentos hoje encarcerados nas lembranças tenham sido ruins, valeu pela experiência. O passado que fique na história, agora vou atrás do futuro. Hoje é domingo e a Rua Santo Agostinho amanheceu transbordando em ressaca. Preso na loucura, as ideias a todo instante povoa a minha mente de forma inesperada e com pensamentos incompletos.
             Junto com o esplêndido reluzir do sol, o dia segue em naturalidade. Só estou intrigado com os meus pensamentos: Se tivéssemos como prever os fatos à frente ainda não acontecidos como seria? – Acho que não era bom, deveria perder a graça do encanto. Que valor tinha em saber o sabor do vinho antes da degustação? – Acho perderia a impressão do paladar. Como seria sentir a dor que ainda não aconteceu? – Acho que seria sofrer duas vezes. A beleza da vida é feita pelos olhares de quem ver o mundo do jeito que Deus o criou. Os trilhos seguidos não teriam a beleza de enfrentar os desafios como metas lançadas à vida.
            Saudades da minha lucidez. Vou correr atrás do momento de cada momento. Aprendi. Vou deixar a melancolia de lado e nos caminhos da vida interagir mais com as pessoas, fazer uso das redes sociais e ficar “antenado” aos aplicativos de celular lançado pela tecnologia. Falando nisso, a pouco fui questionado com a alegação que, usar WhatsApp e querer que a outra pessoa também use é ensinar a ser ruim. Ora, se tratasse de uma criança eu até ficaria sem maiores argumentos, mesmo sabendo que hoje muitas crianças sabem mais do que se trata do que muitos adultos. Mim diga caros leitores, o que vocês veem de ruim em um aplicativo multi-plataforma que permite a trocar de mensagem instantânea, envio de imagem e vídeos pelo celular com a conexão da internet? Há também quem diga que só por que aparece à foto no perfil da pessoa, excita o outro a puxar conversa. Paciência. Agora ser pego no flagra com mensagem e algo a mais com a interatividade é outra conversa.
            Discussões desta natureza entre casais por causa do uso das tecnologias são comuns. Tem o ciúme e tal. Mas para esta e outras divergências cabe as partes envolvidas sentarem (a conversa pode ser longa) e na calma, na paz e em harmonia juntar os conceitos que cada um emitiu e formar um único juízo ainda melhor. Simples, não – esse assunto quando cai em discordância é difícil chegar a um consenso. Um pedido de desculpa em sinal que o ocorrido não ira mais acontecer muita vez resolve. Quer dizer, em parte. Só resolve se aquela conversa for dada como ponto final e sobre o assunto que acabara de falar não ser em, mais dia menos dia, reaberta para uma nova contenda. 
            Bom mesmo é zelar pela harmonia e ter alma no coração. Somos seres humanos e todos erram – uns mais outros menos – mas todos erram. Somos movidos por vezes pela emoção e guiados pelos sentimentos eufóricos. Casos assim no primeiro momento a pessoa quer a qualquer custo que as suas ideias prevaleçam sobre a do outro; quer mostrar que estar certo. Só damos conta da razão depois de um passo dado à frente. Ai o estrago esta feito, sem volta. Saudades do espírito esportivo.       

(*) JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – A VIDA LEVADO A SÉRIO – em 06/02/2014 na página 18 - Galeria (Jornal Impresso).

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Patrimônio imaterial


            As palavras são variáveis. Carlos Drummond de Andrade, mestre do nosso idioma, no poema “A Palavra e a Terra” profetisa entre outros vocábulos o seguinte: “Toda forma/nasce uma segunda vez e torna/infinitamente a nascer... E a palavra, um ser/esquecido de quem o criou: flutua,/reparte-se em signos...". As palavras para chegarem aos moldes do poema, ao longo do tempo, a língua passou por diversas influências, transformações e modificações no decorrer da história.
            Visitando o Museu da Língua Português no histórico Edifício da Estação da Luz, em São Paulo, dei-me por conta a um diagrama em que a representação gráfica tinha como título: “As grandes famílias linguísticas no mundo”. Achei interessantíssimo, e sem maiores intenções, logo tratei em tirar algumas fotografias caso as imagens presenciadas se apaguem da memória; para guardar como recordações e para mostrar a quem dizer que estou mentindo, mas como ‘não sou besta nem nada’, comecei usando-as como fonte na construção desta crônica. Acompanhando a ordem cronológica das fazes da origem da língua até chegar ao estágio do português brasileiro, conforme se observa na estrutura: Indo-Europeu, Grupo Itálico, Latim, Latim Arcaico, Latim Vulgar, Romance, Romance Ocidental, Galego-Português, Português e Português Brasileiro, foi percorrida um longo caminho até o idioma atual.
            Nos vagões da história quando uma termina a outra começa. Nos primeiros anos da vida escolar aprendemos que o capítulo da história da língua portuguesa no Brasil teve inicio no ano de 1.500, quando os portugueses desembarcaram em nossa costa – é certo que devidas a outras influências ao tempo o idioma vai se modernizando. Revendo a história dos primórdios da língua, estima-se que por volta do ano 4.000 a.C (antes de Cristo) os povos de língua indo-europeu começaram a migrar para várias regiões da Europa e da Ásia, dando origens a mais de 60 línguas diferentes, espalhadas pela Índia, Iran, grande parte da Europa e das Américas. Assim sendo, todas são aparentadas do português.
            “A língua é um mistério sobre o qual vale à pena debruçar-se e refletir”. O Museu da Língua Portuguesa dedica à valorização e a difusão do nosso idioma ao qual é considerado um “patrimônio imaterial” do povo brasileira e tem como objetivo mostrar a língua como elemento fundamental e fundador da nossa cultura; apresentar a Língua Portuguesa ao visitante com as suas origens, histórias e suas diversas influências sofridas e mostrar ao cidadão usuário do idioma que ele é o verdadeiro “proprietário” e agente modificador da língua.
            Depois de conhecer o acervo com o deleite de modernidade do Museu interativo com o belíssimo jogo de palavras, som e imagens em formato de multimídia, que ajuda a contar e a construir a história e a cultura do nosso povo, e saborear as criações e ideias de várias gerações instaladas nos andares do edifício, voltei ao cotidiano, sentei-me em silêncio e comecei a rebobinar o filme da câmara fotografia e rever as capturas ali pressas. Um tanto quanto tudo visto nos espaços vivos do prédio da centenária Estação da Luz, prendi-me em fascínio na exibição da língua, da história e da cultura do povo brasileiro.
                                   
(*) JOSSELMO BATISTA NERES 
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – PATRIMÔNIO IMATERIAL – em 30/01/2014 na página 18 - Galeria (Jornal Impresso).

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cidadezinha do interior


A viagem por ser tão significativa tratei logo em começar esta crônica. O leitor que por acaso lê pode até ter um olhar torpe, mas releve, ninguém pensa igual! 
Estou de férias. Buscando o descanso do labor fiz o contrário do que muitos fazem, procurei o choque de civilização para esvaziar o estresse. Peguei o voo no Aeroporto de Teresina e pousei no Aeroporto Internacional de Guarulhos e mais alguns poucos minutos de carro cheguei ao Bairro Ipiranga – Vila Carioca, capital de São Paulo. Sem perder tempo logo dei continuidade ao itinerário da viagem. Fui a Rua 25 de Março – o paraíso das compras – e assistir estático a muvuca desenfreada do centro da cidade. Passou-me um filme como é as cidadezinhas do interior. Por falar em cidadezinha do interior, lembrei-me de um poema de Carlos Drummond de Andrade que chama “cidadezinha qualquer”. Vou tomar emprestado o termo ao ilustre autor e chamar a minha de ‘cidadezinha do interior’, mas não uma cidade do interior qualquer, mas a cidade da minha infância emoldurada na memória do “menino que ainda existe”. Como nos versos do poeta em “cidadezinha qualquer”, na minha ‘cidadezinha do interior’ também existem “casas entre bananeiras/mulheres entre laranjeiras/pomar amor cantar...” Envolto em lembranças da minha cidadezinha do interior segui à frente pelo centro da cidade, admirando umas coisas, comprando outras até se deparar com a famosa Catedral da Sé, o Marco Zero da cidade e a Praça que leva o mesmo nome da Igreja onde os dois monumentos estão fincados.  
            No roteiro turístico adentei ao Vale do Paraíba passando pelos territórios paulistas de São José dos Campos, Caçapava... E em meio outras cidades do Vale encontrei a Capital Nacional da Literatura Infantil, Taubaté, terra natal do escritor Monteiro Lobato, criador de conhecidos personagens infantil entre eles, destaque para Emília, Pedrinho, Narizinho, Dona Benta, Tia Nastácia e Visconde de Sabugosa.
            Seguindo a trajetória do passeio ao qual foi reservado cheguei ao Bairro do Brás – região central da cidade de São Paulo, conhecida como um grande centro essencialmente voltado à indústria e ao comércio de roupas. Passei por São Caetano do Sul e Santo André situados no ABC paulista e Ferraz de Vasconcelos na microregião de Mogi das Cruzes, todas cidade da região metropolitana da grande São Paulo.
Voltando a cidade que não dorme, em toda a permanência à luz do sol brilhou esplêndido todas as manhã e choveu às tardes, no mais o dia seguiu sereno em naturalidade. Depois de caminhar quilômetros em buscas de novas descobertas, sentei-me para descansar e aproveitei o momento para misturando letras em palavras como em um pré-acordo. Lá fora ouço o ronco frenético dos motores e a agitação das buzinas.
            A minha ‘cidadezinha do interior’ é pacata e não troco pelos grandes centros... Mas ei de convir, os centros são maravilhosos para fazer compras, buscar o conhecimento e tomar banho de civilização. O tempo esgotou-se, chega a hora de fazer o caminho de volta pela porta do Aeroporto de Congonhas e retornar a minha cidadezinha no centro sul do Piauí. Até a nova história.
                       
(*) JOSSELMO BATISTA NERES 
E-mail: josselmo@hotmail.com

Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – CIDADEZINHA DO INTERIOR – em 18/01/2014 na página 02 Opinião (Jornal Impresso).

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sábado, 11 de janeiro de 2014

Quando a chuva cai no sertão...

                Terça-feira o sol quase não pareceu. Passou o dia chovendo. Uma chuva fina e serena que transformou o calor escaldante em um clima agradável. Coisa difícil de ver em meio o sertão. A imagem da vegetação seca, cinzenta e retorcida vista na maior parte do ano, com as primeiras chuvas o que parecia esta morta, ressurgem com a rapidez só fogo em pólvora dando lugar ao verde. As sementes das jitiranas, dos mata-pastos, das malvas brancas entre outros, são semeadas no fim das águas pelo vento e pelos pássaros no solo seco e quando volta a chover brotam da terra formando um ‘canteiro verde’ onde antes só via a terra limpa.  
               Quando a chuva vem à paisagem renasce. A jitirana que é da família das Convolvulaceaes do tipo trepadeira, é uma das plantas que tem grande destaque por ser de rápido crescimento, espalha-se ligeiramente pelo chão e se enrosca aos troncos das vegetações e cercas, servindo como um dos primeiros alimentos dos animais nas primeiras águas. Os arbustos do marmeleiro, mufumbo, pau-de-rato conhecido também como catingueiro, jurema... Assim como outros tipos de vegetação que durante toda a estiagem não se encontra uma folha verde para fazer ‘remédio’, logo às primeiras chuvas caem na caatinga à vida volta aos galhos secos no que pareciam estar morto, renascendo como a fênix.
                A falta de chuva e de um clima amena afeta os seres vivos em geral. O sertão quase o ano inteiro é tragado pelo insuportável calor, onde nem os eletrodomésticos dão conta de abafar o vapor escaldante – o umidificador de ar não faz nem cosquinha mediante a tamanha sensação térmica, o ventilador em muitas das vezes o sopro do vento mais parece o vapor de um secador de cabelo e a central de ar e/ou ar condicionado nem todas as pessoas podem ter esse bem, com exceções a uns poucos, quando tem o desejado aparelho elétrico não podem adentrar noites adentro com o objeto funcionando, o pagamento da conta de energia vai fazer falta na compra do feijão... 
                No ano de estiagem prolongada o sofrimento do sertanejo é lamentável. Os açudes e as lagoas secam e o solo fica sereno de rachões. Ao ser lançado os primeiros pingos de chuva do alto das nuvens no torrão o sertão fica em festa. Quando o tempo ‘fecha’ e ensaia desfiar as gotas das nuvens, o menino em alvoroço grita: “Mamãe me deixa banhar na chuva”. O homem do campo no alpendre da casa olha ao redor procurando a nascente da chuva e profetiza: “A chuva é geral” e planeja em pegar os bois e preparar o arado para lavrar a terra para o plantio – “vou ‘aradar’ as terras lá da roça de baixo para plantar milho e feijão”.
                Os bichos brutos é quem mais sofre com os efeitos da seca. Como todos os outros animais, o gado vive com quase sem água para beber e com pouca pastagem. Quando São Pedro abre as torneiras no sertão o boi munge com vigor. Os pássaros voltam a pular de árvore em árvore cantarolando e o sertanejo que cria algum rebanho resmunga: “Nas primeiras ramas, vou soltar o gado na chapada, para dar uma folga na roça e criar pasto.” Viva o sertão. 

(*)JOSSELMO BATISTA NERES é funcionário do Banco do Brasil
E-mail: josselmo@hotmail.com
 
 
Crônica/Artigo publicado no Jornal Diário do Povo do Piauí – QUANDO A CHUVA CAI NO SERTÃO... – em 10/01/2014 na página 02 Opinião (Jornal Impresso).

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